Dívida pública federal tem queda de 0,87% em janeiro e recua para R$ 7,25 tri

O estoque da dívida pública federal registrou queda de 0,87% no último mês de janeiro, em termos nominais, passando de R$ 7,31 trilhões, em dezembro, para R$ 7,25 trilhões, no mês seguinte. Diante disso, a queda nominal da dívida nesse período foi de R$ 63,39 bilhões. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (26/2) pelo Tesouro Nacional, durante a apresentação do Relatório Mensal da Dívida (RMD).

Segundo o Tesouro, os sinais mais amenos na guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causaram impacto positivo nos mercados emergentes em janeiro, além da queda do nível da curva de juros local, que corrigiu parte da forte alta registrada em dezembro e acompanhou o movimento do dólar. A moeda norte-americana desvalorizou 5,54% no período, o que representa a maior queda mensal desde junho de 2023.

No primeiro mês do ano, a dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) teve queda de 0,23% em seu estoque, recuando de R$ 6,96 trilhões para R$ 6,95 trilhões. O recuo desse indicador se deve principalmente ao resgate líquido, no valor de R$ 79,97 bilhões, que foi neutralizado, em parte, pela apropriação positiva de juros, no valor de R$ 63,97 bilhões.

Já o estoque da dívida pública federal externa (DPFe) — que representa a parte da dívida pública do país que está em moeda estrangeira — registrou variação negativa de 13,57% em relação ao mês anterior. Diante disso, a DPFe encerrou o mês de janeiro em R$ 301,81 bilhões, ou US$ 51,77 bilhões, sendo R$ 249,21 bilhões referentes à dívida mobiliária e R$ 52,59 bilhões relativos à dívida contratual.

Já no mês de fevereiro, o Tesouro avalia que a postergação na implementação de tarifas por Trump aumenta o apetite por risco entre os investidores, o que, em tese, favorece os mercados emergentes, como o Brasil. Ainda segundo a secretaria, a curva de juros perde nível e inclinação em função de expectativas de diminuição no ritmo de elevação da taxa básica de juros, a Selic.

A doença rara desvendada pela ciência na cidade onde ‘todo mundo é primo’ no sertão

Silvana Santos ainda sabe de cor a casa e o nome de cada um dos moradores de Serrinha dos Pintos que perderam na infância a capacidade de andar.

As filhas de dona Loló na entrada da cidade, Rejane no recuo da estrada, Marquinhos logo depois do posto de gasolina, Paulinha em frente à escola…

Foi nesta cidade de menos de 5 mil habitantes no sertão do Rio Grande do Norte que a bióloga e doutora em genética descobriu, estudou e batizou uma doença genética rara até então desconhecida no mundo: a síndrome Spoan.

Causada por uma mutação genética que pode ser rastreada até os primeiros colonizadores a explorarem o sertão do Brasil, a síndrome afeta o sistema nervoso e causa um progressivo enrijecimento e enfraquecimento das pernas e dos braços. Nos afetados, os olhos apresentam um movimento rápido e involuntário.

Para que a síndrome se manifeste, a pessoa precisa herdar obrigatoriamente um gene com a mutação tanto da mãe quanto do pai.

Isso significa que, se os pais forem parentes e compartilharem a mesma herança genética, a chance de eles terem o mesmo gene mutado (e a síndrome ocorrer em seus filhos) aumenta consideravelmente.

Por estar distante de qualquer metrópole e isolada em uma serra com pouco histórico de novas pessoas chegando, em Serrinha dos Pintos é comum que os moradores tenham algum grau – ainda que distante – de parentesco.

Muitos casamentos, em alguns casos mesmo sem as pessoas saberem, ocorrem entre primos, fenômeno que interessa geneticistas como Silvana.

O Nordeste do Brasil, sobretudo nas cidades do interior, é a região onde essas uniões consanguíneas são mais comuns no país. Em algumas cidades, a taxa se aproxima de países do Oriente Médio, onde esse tipo de relação são parte da cultura e até incentivadas.

Também é no Nordeste onde estão concentrados mais casos de doenças raras genéticas, muitas ainda sem nome.

Até a chegada de Silvana, que se mudou e se apaixonou pela região, as famílias do Alto Oeste Potiguar, onde fica Serrinha, buscavam explicações para a doença que só existia ali.

Hoje, os moradores falam de Spoan e de genética com autoridade e firmeza, explicando que o termo “aleijados”, antes comumente usado, ficou no passado.

“Ela trouxe um diagnóstico que a gente não tinha. [Com a pesquisa], começaram a chegar pessoas, recursos, cadeiras de rodas”, lembra Marcos Queiroz, o Marquinhos, um dos pacientes com Spoan.

A BBC News Brasil foi até Serrinha dos Pintos com Silvana Santos, refazendo os passos que a pesquisadora deu há mais de 20 anos, para contar a história de como a síndrome rara foi descoberta.

Por sua pesquisa, Silvana Santos foi escolhida pela BBC no fim de 2024 uma das 100 mulheres mais influentes do mundo.

A lista – que conta ainda com as também brasileiras ginasta Rebeca Andrade e a ativista pelos direitos das prostitutas Lourdes Barreto – reconhece o impacto do trabalho dessas mulheres na busca por mudanças no mundo.

A descoberta por acaso

Inês teve dois filhos com síndrome Spoan

“Lá tem um monte de gente que não anda, mas ninguém sabe o que é”.

Foi isso que a geneticista Silvana Santos ouviu de seus vizinhos de rua, em São Paulo, sobre a cidade de onde vinham: Serrinha dos Pintos.

As casas espalhadas na vizinhança paulistana eram ocupadas por uma mesma família, muitos deles primos de diferentes graus casados entre si.

Na época, final dos anos 1990, Silvana fazia um doutorado na Universidade de São Paulo (USP) com o intuito de pesquisar justamente como casais de primos explicavam a origem de algumas doenças familiares.

“Minha ideia era entender como percebiam a genética em uniões consanguíneas, e comecei a testar meus questionários com eles, que viraram meus amigos. Eu não imaginava que estava em frente a uma doença desconhecida”, lembra Silvana.

Mas ela estava.

O quadro sem diagnóstico que chamava a atenção era o de Zirlândia, filha de um dos casais vizinhos.

Logo nos primeiros anos de vida, os olhos de “Zi”, como era chamada pela família, apresentavam um movimento rápido e involuntário. Com o tempo, os sintomas evoluíram para dificuldade em andar e perda motora grave. Suas pernas e braços atrofiaram, e Zi passou a usar uma cadeira de rodas e a precisar de ajuda com tarefas básicas.

Como Silvana e uma equipe de pesquisadores descobririam mais tarde, eram sintomas de uma doença que não havia registro na literatura médica: a síndrome Spoan.

Os anos de pesquisa, que incluiu a mudança definitiva de Silvana para o Nordeste, revelaram 82 casos de síndrome Spoan no mundo. Desses, 70 se concentram em cidades vizinhas no Alto Oeste Potiguar, 18 deles em Serrinha dos Pintos.

Serrinha dos Pintos: um universo à parte

Por convite dos vizinhos, Silvana decidiu conhecer a cidade durante um período de férias, junto às duas filhas pequenas. Ela descreve a chegada como o acesso a um “universo à parte”, não só pela beleza da caatinga esverdeada e das montanhas que compõe a Serra de Martins, mas também pelo quadro genético raro que parecia existir ali.

Quanto mais caminhava e conversava com os moradores, mais ela se surpreendia com um fenômeno que era muito mais comum do que imaginava: “Era todo mundo casado primo com primo”.

As explicações para tantas relações endogâmicas na região, além do isolamento geográfico, passavam pela crença de que esse tipo de casamento é mais duradouro. Também a rede de apoio ao redor do casal se mostrava mais robusta, concluíram as pesquisas feitas por Silvana.

Em muitos casos, porém, não queria dizer que as pessoas conscientemente buscassem esse tipo de união. “É que aqui em Serrinha todo mundo é primo se você for buscar”, conta a recém-casada Larissa Queiroz, 25 anos, que só descobriu estar namorando um primo após meses de relacionamento.

Em geral, o casamento entre pessoas de uma mesma família é bastante comum no mundo, com estimativas em torno dos 10%. E os filhos dos casais, na maioria dos casos, não nascem com deficiência, explicam os geneticistas.

Se o casal não é aparentado, a chance de ter um bebê com anomalia congênita, doença genética rara ou deficiência intelectual gira entre 2% e 3%, explica o geneticista Luzivan Costa Reis, pesquisador na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Caso sejam primos, a probabilidade fica entre 5% e 6% a cada gestação.

“Isso acontece em razão do aumento da probabilidade dos genitores terem uma mesma variante patogênica [mutação], que está presente na história familiar do casal.”

Isso quer dizer que, quando uma população tem pessoas com alguma mutação genética e casa entre si, os riscos para as doenças raras aumentam. E era justamente isso o que estava acontecendo em Serrinha dos Pintos.

As pesquisas nos anos seguintes mostrariam que, na cidade, mais de 30% dos casais eram consanguíneos – e desses, um terço possuía ao menos um filho com deficiência. Isso faz de Serrinha a segunda cidade do Brasil com maior índice de casamentos entre parentes, entre as já estudadas por geneticistas, mostra a pesquisa de Reis.

O Censo Nacional de Isolados (Ceniso), um levantamento do Instituto Nacional de Genética Médica Populacional (Inagemp) que identifica locais com alta frequência de doenças genéticas ou anomalias congênitas, mostra que o Nordeste é a região do país onde há mais casos de populações afetadas.

Os números, segundo pesquisadores consultados pela BBC News Brasil, são subestimados, já que o banco de dados é alimentado pelos próprios cientistas quando sai uma nova pesquisa descrevendo casos ou quando algum relato chega ao conhecimento do Ceniso.

“O Brasil é um país muito heterogêneo. Somos uma espécie de ‘caldeirão genético’, então é natural que tenhamos uma diversidade também de doenças trazidas por mutações dos povos que formaram essa população”, diz Lavínia Schuler-Faccini, coordenadora do Ceniso.

A inclusão da Spoan e das cidades do sertão do Rio Grande do Norte nesse mapa levou alívio às famílias que buscavam por respostas.

“Nós vivíamos no escuro. A luz só chegou quando foi descoberta a causa, que era um problema genético e degenerativo. Foi um alívio”, lembra a agricultora Elenara Queiroz, mãe de Paula Daiana, a Paulinha, uma das diagnosticadas com a doença.

A família chegou a viajar por cidades no Estado para tentar entender o quadro da jovem, descartando diagnósticos como o de paralisia infantil.

Embora o quadro não tenha cura, para a mãe, saber “o que esperar” da síndrome foi como soltar um suspiro longo depois de muito tempo prendendo a respiração. Uma chance de conhecer e atender melhor às necessidades de Paulinha, e também de um planejamento familiar para as próximas gerações.

A importância de se ter um diagnóstico clínico, ressalta Silvana, é justamente saber a evolução de uma doença.

“Para uma criança com dois anos de idade, a gente sabe como aquele quadro vai evoluir até os 80 anos, a sobrevida que a pessoa tem, as dificuldades que a pessoa vai ter. Então nós podemos orientar muito melhor a família”, diz.

Elenara conta que tinha um vago conhecimento sobre os riscos de casamento entre parentes.

“Só por conta de uma novela que eu assistia. Quando casei, tinha medo de ter um filho com deficiência. Durante a gravidez de Isabela [primeira filha, que nasceu sem a síndrome], passei nove meses com medo. Mas mesmo sabendo dos riscos, eu não via o pai delas como primo.”

“Em Serrinha, a população é basicamente formada por duas famílias: Queiroz e Fernandes. Mas a coincidência de meu esposo e eu termos os mesmos genes com ‘defeitos’ nos pegou de surpresa.”

Para seu marido, José Moura Sobrinho, a união com Elenara era predestinada, algo que o medo de alterações genéticas não poderia evitar.

“Eu acho que você pode namorar com quem for, mas se casa só com a pessoa certa.”

Para manter a pesquisa, Silvana viveu no Sertão do Rio Grande do Norte por três anos – depois, passou a morar no interior da Paraíba, onde descobriu outras doenças

Três dias de carro sozinha: o caminho até o diagnóstico

De volta a São Paulo após a primeira visita, Silvana sabia que tinha uma missão: encontrar um diagnóstico e uma explicação para as pessoas de Serrinha dos Pintos.

Com exames de seus vizinhos em mãos, ela procurou o neurogeneticista Fernando Cok, referência na área: “Expliquei a ele que estava buscando um diagnóstico para várias pessoas com os mesmos sintomas.”

“Ele me disse: ‘Silvana, eu não sei o que é. E provavelmente ninguém sabe’.”

Serrinha dos Pintos e as cidades no entorno passaram, então, a ser objeto de estudo. A pesquisadora começou a planejar os passos de para um estudo genético minucioso, algo que demandaria várias viagens – e a mudança definitiva – à região.

As músicas de Roberto Carlos tocavam no rádio enquanto Silvana dirigia sozinha mais de dois mil quilômetros entre São Paulo e Serrinha dos Pintos, um trajeto que não durava menos do que três dias e foi percorrido por ela dezenas de vezes nos primeiros anos de pesquisa.

Silvana ia de porta em porta, comia bolo e tomava café enquanto ouvia as histórias da família, perguntava sobre as pessoas com deficiência e colhia amostras de DNA.

A ideia era encontrar onde estava a mutação que causava a doença.

“Imagine que cada um de nós carrega enormes livros de receitas, chamados de cromossomos. São 23 livros no total [em cada célula], cada um com milhares de receitas que definem nossas características.”

O cenário complexo em Serrinha fez Silvana deixar sua vida em São Paulo, se mudar para a cidade vizinha de Martins (RN) com suas duas filhas e mergulhar nesse universo.

A pesquisadora viveu ali por cerca de um ano, até se mudar para Campina Grande, onde virou professora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e de onde podia ficar indo com frequência às cidades potiguares.

O que seriam três meses de pesquisa de campo virou anos de dedicação a um projeto que mudou a vida de dezenas de pessoas que viviam sem diagnóstico no Sertão.

A publicação revelando para o mundo a existência de Spoan no sertão do Rio Grande Norte aconteceu em 2005, no Annals of Neurology, através do Centro de Estudos Genômicos do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Manoel Firmino, conhecido como seu Lolô, vive com a filha Rejane, uma das pacientes com Spoan na cidade

A mutação genética e o velho Maximiano

A pesquisa do grupo de Silvana mostrou que a mutação consiste na perda de um pequeno pedaço de material genético em uma região específica do cromossomo 11, chamada 11q13.

A perda faz com que o gene KLC2, que produz uma proteína importante para o transporte de substâncias dentro dos neurônios, funcione de maneira exagerada.

Quando Silvana iniciou suas entrevistas e a pesquisa de campo para entender como a população explicava, os moradores muitas vezes relacionavam a doença a uma figura do passado, um homem conhecido como “Velho Maximiano”.

“Na época, diziam que a causa era uma sífilis hereditária que vinha do Maximiano, um homem da família da gente, um velho raparigueiro [mulherengo]”, conta o agricultor Manoel Firmino, conhecido como seu Lolô, que é pai de Rejane, uma das pacientes com Spoan na cidade.

A sífilis não tinha qualquer relação com a síndrome Spoan, mas a ideia que os moradores repetiam possuía, sim, uma explicação histórica.

“Antigamente, a sífilis não tinha tratamento, e quem pegava podia ficar em estado grave, inclusive ter perda motora e parar de andar. Então essa ideia de que a sífilis poderia estar causando essa doença. Não é uma ideia completamente sem sentido – embora não tenha relação com a Spoan, ela tem uma origem na história da ciência também”, diz Silvana.

Lolô, vaqueiro e agricultor há décadas, se casou com sua prima e nunca saiu de Serrinha dos Pintos. “Nunca fui para São Paulo ou qualquer outro lugar. Meu cunhado quis me levar para lá, mas recusei. Eu gosto é daqui, é mais arejado.”

Aos 83 anos e viúvo, Lolô ainda tange seus bois e cuida dos animais numa pequena casa na estrada que leva ao centro de Serrinha dos Pintos. Ele depende de familiares que moram no mesmo terreno para cuidar da filha.

Embora a Síndrome Spoan acometa o físico, e não as capacidades cognitivas, as limitações impostas pelo quadro acabam por prejudicar a saúde mental.

“E quando eles ficam para baixo, o que parece é que acaba piorando a condição como um todo. É como se o estado depressivo acelerasse o agravamento”, diz Claudia Galvão, terapeuta ocupacional e professora na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Nos últimos anos, uma das funções de Cláudia foi ajudar os moradores de Serrinha com a síndrome a conseguirem cadeiras de rodas personalizadas para suas necessidades.

Rejane tem dificuldade para fazer tarefas consideradas simples para a maioria das pessoas, como pegar um copo. “Só depender dos outros é ruim. Hoje mesmo eu não posso fazer nada sem ajuda”, conta.

Ela compartilha o desejo de conseguir pagar sessões de fisioterapia, esperando que os movimentos, especialmente nas mãos, possam ficar melhores.

“Gosto muito de mexer no celular, mandar mensagem no Whatsapp… Coloco assim, pertinho da vista, porque não enxergo bem. E fico ouvindo hinos [música gospel].”

A BBC News Brasil tentou diversos contatos com a prefeitura de Serrinha dos Pintos para tratar da assistência aos pacientes com a síndrome Spoan na cidade, mas não recebeu respostas.

O governo do Rio Grande do Norte disse que está em fase de finalização do projeto junto ao Ministério da Saúde para o primeiro Centro de Referência em Doenças Raras do Estado, com foco nas doenças genéticas, “dada a demanda”. A Secretaria de Saúde estima que 300 crianças nascem com doenças genéticas por ano, “um número muito alto”.

O governo federal disse que pretende habilitar mais 28 laboratórios para diagnósticos precoces de doenças raras no Brasil e que aumentou em 40% os atendimentos ambulatoriais de pacientes nos últimos dois anos. Não foi informada uma política específica voltada para a região Nordeste.

A Ocupação do Sertão do Nordeste

Mutação que causa a Síndrome Spoan chegou na região com as primeiras ocupações de imigrantes no interior no Nordeste

A explicação genética para o que acontece no corpo de Rejane e de outras dezenas de pessoas na região é, na verdade, muito mais antiga do que o velho Maximiano.

A mutação que causa a Síndrome Spoan chegou na região com as primeiras ocupações de imigrantes no interior no Nordeste.

“Os estudos de sequenciamento genético mostraram uma maior contribuição europeia em pacientes com a Spoan, confirmando registros históricos que falam da presença de portugueses, holandeses e judeus sefarditas do litoral para o interior do Nordeste”, aponta Silvana, que calculou que a mutação tenha ocorrido há mais de 500 anos.

Essa hipótese é reforçada pela descoberta de dois pacientes com Spoan no Egito depois que as pesquisas brasileiras foram publicadas em jornais científicos internacionais.

“Isso permitiu que médicos geneticistas como eu pudessem identificar mais famílias [com casos de Spoan]”, diz Maha Zaki, responsável pelo achado no Centro Nacional de Pesquisas do Egito, no Cairo.

Segundo outra pesquisa, do geneticista Allyson Allan de Farias, na USP, a genética dos indivíduos brasileiros e egípcios apresentou ancestralidade europeia, sugerindo um ancestral comum na Península Ibérica.

“Isso sugere a vinda de casais aparentados de judeus sefarditas ou mouros que podem ter migrado da península Ibérica para fugir da Inquisição. Essa população se instalou no litoral e depois no sertão do Nordeste”, diz.

Para Silvana, “essa idade também nos indica que muito provavelmente existem mais expoentes espalhados no mundo”, especialmente em Portugal.

A terapeuta ocupacional Claudia Galvão trabalha com Silvana em projetos para levar qualidade de vida aos moradores de Serrinha

Nova era

Desde a descoberta, não houve avanços significativos sobre uma cura ou estabilização da Spoan.

“A falta de investimento em pesquisas sobre o tema dificulta as descobertas”, avalia Silvana, que reforça a existência de doenças ainda desconhecidas no sertão nordestino.

Mas o acompanhamento dos que possuem a síndrome possibilitou alguns avanços para as comunidades do Alto Oeste Potiguar.

A primeira delas, lembra Rejane, era o modo como as pessoas tratam os que possuíam a síndrome. “Antigamente os mais velhos chamavam de aleijado. Nem deficiente era.”

Hoje, o termo pejorativo ficou para trás. Em vez dele, é explicado que eles “têm Spoan” – ou, como Silvana prefere, são os “spoanzinhos”.

A chegada das cadeiras de roda contribuiu não só para a independência de quem tem Spoan, mas também para impedir que o corpo fique curvado e as deformações se tornem muito severas.

Quando está em João Pessoa, a 530 quilômetros, a terapeuta Claudia Galvão troca mensagens com pacientes e familiares e escuta suas queixas e pedidos.

“Às vezes faço chamadas de vídeo e vou ditando para os familiares como tirar as medidas que preciso, do corpo e da cadeira, para poder ajustar algumas peças.”

As pesquisadoras confirmam a descrição de Maria Inês de Queiroz, mãe de dois homens com Síndrome Spoan, Marcos e Francisco, sobre a vida há algumas décadas.

Famílias que não tinham condições de buscar por cadeiras de rodas em cidades mais urbanizadas, como Natal, não tinham outra opção senão manter os parentes com a síndrome em uma cama ou no chão.

Como a Spoan causa atrofias musculares e deformidades no corpo, em alguns casos, não havia posição que acomodasse as pessoas com deficiências mais severas em um sofá ou cadeira.

Com avanços na tecnologia e nas pesquisas de Claudia no campo da terapia ocupacional, já foi possível dar uma versão motorizada da cadeira para vários pacientes.

Com pesquisas no campo da terapia ocupacional, já foi possível dar uma versão motorizada da cadeira para vários pacientes

A atrofia e limitações físicas impostas pela síndrome tendem a piorar com a idade. A partir dos 50, praticamente todos os pacientes tornam-se completamente dependentes.

É o caso dos filhos de dona Inês, que estão entre os mais velhos com Spoan na cidade. Chiquinho, aos 59, não consegue mais falar, e Marquinhos, aos 46, se comunica com dificuldade.

“É difícil ter um filho ‘especial’. A gente ama igual, mas sofre por eles”, diz Inês, casada com um primo de segundo grau. Dona de um mercadinho, ela aconselha parentes mais jovens a buscarem casamentos fora dos laços familiares em Serrinha.

A genética para novas gerações

Sobrinha de Marquinho e Chiquinho, Larissa Queiroz, 25, também se casou com um homem com quem divide um grau de parentesco, ainda que não de primeiro grau.

Larissa e seu atual marido, Saulo, só descobriram que tinham um ancestral em comum depois de alguns meses de namoro – algo que, para ela, acendeu um alerta.

“Eu não sei como as pessoas de fora pensam a respeito, mas aqui em Serrinha dos Pintos, no fim das contas, a gente é tudo uma família só. Quando mexe no fundo, a gente é primo, é parente de alguém… De alguém não, de todo mundo.”

Ela diz se sentir na responsabilidade de buscar um aconselhamento genético não só para saber seu risco em relação à Síndrome Spoan, mas também a outros quadros genéticos.

São casais como Larissa e Saulo que um novo projeto de pesquisa, que Silvana faz parte, visa orientar.

Por meio de um projeto do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP e com apoio do Ministério da Saúde, os pesquisadores pretendem iniciar uma triagem de genes responsáveis por doenças genéticas recessivas.

“A ideia é oferecer testes genéticos, que incluem sequenciamento do genoma, para buscar mutações e avaliar o risco que esses casais têm de ter um filho com uma doença genética grave”, explica Silvana

Coordenado pelo geneticista Michel Naslavsky, a proposta é estudar 5 mil casais em idade reprodutiva em São Paulo, Paraíba, Bahia e Espírito Santo. A depender do financiamento da pesquisa, o projeto poderia, no futuro, abranger pessoas de outros estados.

A ideia é testar 400 genes responsáveis por doenças genéticas mais prevalentes na população brasileira.

O objetivo, segundo o grupo, não é tentar impedir casamentos entre primos, mas, sim, fornecer informações a casais sobre genética familiar e, assim, eles tomarem decisões: “É para que eles possam conhecer um pouco mais sobre a sua história”, resume Silvana.

No Brasil, há poucos lugares fora do eixo Rio-São Paulo em que as pessoas podem procurar serviços de aconselhamento genético. Uma lista da Sociedade Brasileira de Genética Médica indica os centros públicos especializados pelo país onde casais interessados podem buscar orientação.

Hoje professora na UEPB em João Pessoa, Silvana está à frente do Núcleo de Estudos em Genética e Educação (Nege) e segue se dedicando à ampliação dos serviços de mapeamento genético na região Nordeste.

A pesquisadora não vive mais na região de Serrinha dos Pintos e não frequenta as casas dos moradores com a recorrência de antes. Mas, cada vez que volta, é como se nunca tivesse partido.

“É como se Silvana fosse da nossa família”, diz dona Inês.

De certa forma, mesmo que não pela genética, a cidade ganhou, nesses últimos anos, uma nova prima.

Silvana Santos não mora mais na região, mas continua visitando com frequência

Brasil registra mais de 100 mil novos empregos em janeiro, antecipa Marinho

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, adiantou o resultado do Caged de janeiro, que informa a quantidade de trabalhadores com carteira assinada em todo o Brasil. Segundo o chefe da pasta, o país criou mais de 100 mil postos de trabalho no primeiro mês do ano.

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“O Caged de janeiro vem com mais de 100 mil empregos criados no mês de janeiro deste ano, começando o ano gerando emprego de qualidade. E vamos repetir no ano inteiro, a partir do comando do presidente Lula, liderar o conjunto de investimento no Brasil”, disse Marinho, nesta segunda-feira (24/2), durante evento ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

O resultado oficial do Caged com os detalhes sobre a criação de novos empregos no mês de janeiro será divulgado na próxima quarta-feira (26). Os dados divulgados pelo MTE se referem apenas aos cargos celetistas, ou seja, que integram o regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Visão do Correio: Riqueza hídrica desperdiçada

As mudanças climáticas têm provocado uma série de consequências e alterado diversos padrões da sociedade e do meio ambiente. No Brasil, os rios — historicamente fontes de desenvolvimento e vida saudável — atravessam um momento preocupante, potencializado pelas modificações impostas pela interferência do homem na natureza. Secas severas e enchentes devastadoras ficam ainda mais nocivas aos mananciais quando somadas ao aumento da poluição, em outra ação direta da civilização atual. Uma questão urgente, que o país precisa debater amplamente.

A preservação dos rios é de extrema importância para o meio ambiente e relevante para o crescimento nacional. Cursos d’água que abrigam variados ecossistemas e servem de habitats diversos, eles são fundamentais para o equilíbrio ambiental. Também garantem a subsistência de comunidades, as atividades no meio rural e o funcionamento de toda a engrenagem das cidades de pequeno, médio e grande portes. Com isso, a degradação e o uso equivocado dos recursos dos corpos hídricos impedem melhorias sociais, ampliando desigualdades, e comprometem atividades financeiras.

Por incontáveis municípios brasileiros, a falta de infraestrutura de saneamento causa prejuízos constantes nas esferas da saúde e da economia. O descarte inadequado de lixo, problema que as administrações públicas não se empenham em resolver, provoca perdas e emperra ganhos, como os que ocorrem no setor de turismo. Outro vilão de destaque é o sistema de esgoto — que em inúmeras cidades se mistura às galerias de drenagem pluvial — ou, o que é pior, a ausência dele, com o derramamento dos dejetos nas águas. O tratamento inadequado é mais um ponto negativo.

Fato é que se os rios estão contaminados, a responsabilidade é humana, e essa crise alarmante precisa ser solucionada. O país tem de trabalhar de forma harmônica e conjunta para evitar novos estragos e recuperar o que já foi prejudicado. Aperfeiçoar a coleta e o tratamento de esgoto, acabando com as ligações clandestinas, e garantir saneamento básico para todos são medidas para dar o pontapé inicial nesse processo.

A despoluição de rios é um esforço custoso, porém rende benefícios fundamentais para a população. Ciclo de saneamento eficiente, rede de drenagem pluvial adequada e destinação correta de rejeitos e resíduos devem ser estabelecidos concomitantemente à aplicação de técnicas avançadas para limpar as águas.

A canalização e a construção de vias sobre os rios, da forma como vêm sendo feitas no país, também devem ser repensadas. Com os temporais cada vez mais intensos, resultantes das mudanças climáticas, os transbordamentos nessas situações têm virado rotina e fica claro que o modelo precisa de reavaliação e modernização.

Para reverter esse cenário, é necessário criar políticas públicas que estejam aliadas à participação da sociedade. Resgatar os rios nacionais é um desafio de todos e envolve investimento, conscientização e disposição para agir. A excelência das águas significa qualidade de vida e representa desenvolvimento. O Brasil tem de olhar para os seus rios — e para toda a sua diversidade hídrica — com um cuidado maior. Essa riqueza nacional não pode mais seguir sendo destruída e desperdiçada.

Recordistas de jogos no mundo em 2024, clubes brasileiros têm perspectiva maior para 2025; entenda os impactos

Em La Paz, onde estreou pela Libertadores, contra o Strongest-BOL, o Bahia disputou seu 12º jogo em 2025. Uma maratona que durou, até agora, 41 dias. Espécie de irmão mais rico dos baianos, o Manchester City-ING levou um mês a mais para chegar ao mesmo número de partidas na temporada 2024/25. Na anterior, ninguém jogou tanto quanto ele na Europa: 59 vezes. Agora, sofre com lesões e uma queda vertiginosa de performance. Para o tricolor de Rogério Ceni, a perspectiva é ainda mais desafiadora: pode chegar a 89 duelos no ano.

A comparação entre os clubes do Grupo City é didática. Mas um dado que viralizou no fim do ano passado escancara ainda mais a realidade brasileira. A plataforma de estatísticas Sofascore divulgou a lista dos clubes que mais atuaram no mundo em 2024. O Botafogo lidera, com 75 partidas, e os clubes da Série A nacional monopolizam as 19 primeiras posições. A exceção é o Criciúma, que aparece logo em seguida, em 21º, com 60.

Em 2025, alguns deles podem jogar ainda mais. A dupla Bahia e Vitória, que fará no mínimo 58 partidas, pode chegar a 89. O Botafogo, que não jogará menos do que 63 vezes, tem a possibilidade de atingir 86. São duas a mais do que o máximo de Flamengo e Palmeiras e três em relação a Fluminense e Fortaleza.

A explicação está na estreia do Mundial de Clubes, que contará com os quatro últimos campeões da Libertadores; e na presença de três nordestinos, que já disputam a copa regional, nas competições continentais. Não há dúvidas de que os brasileiros seguirão como os que mais jogam no mundo em 2025.

Logo no começo do ano, eles já se depararam com a primeira consequência: a pré-temporada reduzida a um período de sete a dez dias. Para trabalhar num cenário desses, os clubes precisaram improvisar soluções. E uma delas foi fazer dos Estaduais parte desta preparação. Seja adiando a estreia do elenco principal para dar a ele mais dias, seja revezando o uso dos jogadores ao longo do torneio. Enquanto o que joga ganha ritmo, o preservado faz um trabalho voltado ao fortalecimento físico.

— Estes jogos fazem parte do condicionamento. O atleta se condiciona jogando. Ele trabalha não só para o jogo, mas também através dele — explica Diogo Linhares, preparador físico do Flamengo.

No rubro-negro, o técnico Filipe Luís não esconde (nas escalações e nas palavras) que adotou este lema. Suas decisões são tomadas com base numa série de dados passados pelo departamento de ciência e performance do rubro-negro. Os atletas são monitorados em diversos aspectos, como recuperação pós-partidas e entre treinos, desgaste muscular, qualidade do sono e da alimentação e nível de hidratação.

— Temos feito esse trabalho desde o primeiro treinamento. A comissão técnica já estava atenta a esse calendário. Nossa preocupação é dar a melhor condição ao maior número de atletas para que possamos tê-los à disposição em todo o ano. Então você pode ver, ao longo do Carioca, o foco tanto do Diogo (Linhares) quanto do Filipe (LuÍs) em estarem alinhados na carga de trabalho de treino e jogo para ter uma distribuição homogênea dos atletas — afirma o fisiologista Cláudio Pavanelli, coordenador de ciência e performance. — Porque, daqui a pouco, começam a fase mais aguda do Estadual e as copas, em que todo jogo é classificatório. Aí, além do desgaste físico e metabólico, entra o emocional.

O início dessas competições e do Brasileiro representa o começo do período mais crítico para os clubes. É quando, além de as partidas naturalmente serem mais intensas, a frequência de viagens aumenta. Até por isso, cada vez mais os clubes têm recorrido aos voos fretados, que trazem mais conforto e reduzem o tempo fora de casa.

Para Caio Gilli, preparador físico do Vitória, o respiro estará na parada de quatro semanas programada para o meio do ano. O calendário prevê 15 dias de férias para os clubes que não disputarão o Mundial. E mais duas semanas de treinamento, um tempo de preparação maior até do que o do início do ano.

— Neste período, poderemos dar uma ênfase maior ao aspecto físico, porque o treinador já vai ter menos do componente técnico e tático para passar. O time já vai ter jogado de 35 a 40 jogos no ano — projeta o preparador, que comemora o fato de o rubro-negro baiano ter mantido a mesma comissão técnica e boa parte do elenco do ano passado. — O simples fato de os jogadores já entenderem como o Tiago (Carpini, treinador do Vitória) quer que eles joguem e conhecerem a dinâmica do dia a dia do preparador físico já ajuda dentro do processo. Seria pior se fosse um trabalho novo, porque leva tempo para os atletas se adaptarem.

No começo do ano, o dever de casa de todas as comissões técnicas é se debruçar sobre o calendário e mapear todas as semanas do ano com dois jogos e aquelas com apenas um. E fazer, a partir dali, um planejamento do trabalho macro.

—Quando se tem a oportunidade de se jogar uma vez por semana, esta semana é aproveitada principalmente para equilibrar as cargas dos atletas. Ou seja, os que treinaram menos, por terem participado menos dos jogos, têm uma atenção especial para alguns tipos de treinamentos específicos. E os que vieram jogando mais, enfatiza-se a recuperação — explica Adriano Lima, coordenador de fisiologia do Fortaleza.

No entanto, essas semanas são cada vez mais raras. Por isso, para além de todo investimento em um trabalho voltado a minimizar o desgaste — que leva não só a lesões, mas à queda de desempenho —, os clubes se veem obrigados a apostar em elencos maiores.

—É necessário para manter a performance em alto nível, para poder girar o time e manter o mesmo nível de rendimento, a mesma excelência de atuação — opina o CEO do Fortaleza, Marcelo Paz.

O excesso de jogos também aumentou a preocupação entre os jogadores com temas que envolvem sua integridade, como os gramados sintéticos e as partidas sob forte calor. Ao se verem cada vez mais sob risco, eles passaram a protestar abertamente. Outro tema que ligou o alerta da classe foi o fracionamento das férias em duas partes. Mas, em vez da manifestação pública, como ocorreu nas duas questões anteriores, tem atuado através do sindicato.

A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) já procurou os clubes e a própria CBF. Mas, até aqui, não recebeu nenhuma sinalização de que estão abertos a tratar do assunto. A argumentação é de que o calendário foi feito sem ouvir os jogadores e que é preciso diálogo para achar uma solução. O temor é de que o fracionamento se torne regra.

— Este ano (a justificativa) é o Mundial. Ano que vem pode ser outro. E para frente, o que será mais? — questiona o presidente da entidade Jorge Borçato.

CMN prorroga prazo para parcelas de crédito rural com vencimento em 2025

O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a extensão do prazo para o pagamento das parcelas das operações de crédito rural contratadas ou renegociadas com vencimento previsto para 2025 por agricultores familiares, mini, pequenos e demais produtores rurais. De acordo com a resolução publicada nesta sexta-feira (21/2), a medida busca evitar efeitos negativos para produtores que enfrentam um período de seca mais severa, sobretudo na região Nordeste.

Diante disso, o pagamento das parcelas com vencimento previsto para este ano poderão ser prorrogados por até um ano após o término do contrato. Para isso, o mutuário deve solicitar até o próximo dia 30 de junho, a prorrogação do vencimento, além de justificar a sua dificuldade para o pagamento das parcelas em 2025.

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Ainda de acordo com o CMN, a nova medida beneficiará cerca de 60 mil agricultores familiares, além de produtores rurais da região da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Vale ressaltar que, em fevereiro do ano passado, o mesmo conselho autorizou, por meio da Resolução n° 5.120, a renegociação de operações de crédito rural de custeio e investimento para agricultores familiares e produtores rurais com empreendimentos prejudicados pela seca na área da Sudene, “com decretação de situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo Poder Executivo Federal”.

Secretário estadual de Transportes fala em instituir tarifa única de R$ 4,70 para barcas, trens e metrô na Região Metropolitana

O secretário estadual de Transportes e Mobilidade, Washington Reis, afirmou que deseja instituir uma tarifa única de R$ 4,70 para os transportes na Região Metropolitana do Rio. A intenção, segundo ele, é começar pelas barcas e trens e depois chegar ao metrô. Reis, porém, não explicou como vai viabilizar esse valor.

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O secretário acrescentou que, paralelamente à transição para operação dos trens urbanos — a Justiça aprovou, no começo de dezembro, o acordo celebrado entre o estado e a SuperVia para viabilizar a mudança na gestão do sistema — está preparando a licitação para a escolha de um novo operador. A intenção é que seja um sistema semelhante ao das barcas, em que o controle da operação fica nas mãos do estado.

Na transição da SuperVia para a gestão dos trens pelo estado, o administrador Cesar Ferraz Mastrangelo, ex-presidente da Agência Reguladora de Transportes (Agetransp), vai atuar como observador do poder público, na prática uma espécie de interventor, encarregado pelo estado de “orientar e acompanhar as decisões operacionais e financeiras da SuperVia durante o período de transição, previsto para durar de seis a nove meses”.

Nesta quarta-feira, os passageiros do ramal de Saracuruna enfrentaram sufoco para conseguir chegar ao trabalho. Até o começo da tarde, pelo menos cinco estações entre o Corte Oito, em Duque de Caixas, e Saracuruna, permaneciam fechadas. Para conseguir chegar ao seu destino, muita gente precisou caminhar nos trilhos e buscar outras formas de transportes, como ônibus e vans.

A concessionária informou que “por causa da falta de energia, às 6h05, trens do ramal Saracuruna vão circular somente entre a Central do Brasil e a Penha. Passageiros de um trem nas proximidades da estação Vigário Geral precisaram desembarcar na via com auxílio dos agentes da SuperVia. Técnicos da rede aérea já foram acionados para realizar os reparos necessários e investigar as causas do ocorrido”.

—Isso tudo é fruto de desmandos de vinte e poucos anos e a SuperVia não está fazendo a manutenção necessária. Sempre aconteceu isso. Hoje eu cobrei do presidente (da concessionária). Tem que fazer investimento. A gente está assumindo o serviço, se Deus quiser, até o meio do ano — afirmou Reis.

A Agetransp informou que está abrindo um processo para analisar a ocorrência desta quarta-feira, inclusive a distribuição do “Siga Viagem”. Em caso de descumprimento da resolução, poderá gerar penalidade à concessionária, informou.

Reis explicou que, embora o processo de transição tenha iniciado há cerca de dois meses, o controle da operação ainda está nas mãos da SuperVia, devendo passar ao estado somente em julho, se o período de transição não for estendido, como previsto por ele. Segundo Reis, no momento, o observador designado pelo Estado cumpre função meramente burocrática acompanhando., por exemplo, uma auditoria dos ativos e passivos do serviço de trens.

O acordo previa um investimento de R$ 300 milhões dos sofres públicos. Segundo o secretário a liberação é parceladamente e os recursos destinam-se a manutenção da operação dos serviços, podendo ser direcionados para pagamento de pessoal, energia e manutenção.

Seguro para placas solares cresce no Brasil e traz mais segurança

O mercado de seguros para sistemas fotovoltaicos no Brasil está em pleno crescimento, acompanhando o avanço acelerado da energia solar no país.

Grandes empresas de varejo e atacado, juntamente com algumas fábricas e indústrias, estão cada vez mais investindo neste sistema para economizar energia e com isso, pagar menos despesas com energia em seus empreendimentos.

O maior desafio das corretoras de seguros é entender a importância de incluir todas as coberturas relacionadas as condições gerais do produto para proteção do sistema, principalmente a parte de Danos Elétricos, pois existem limites percentuais na contratação desta cobertura que vai de 10% a 50% da cobertura básica. Cada seguradora tem o seu percentual e muitas vezes o seguro mais barato não é a melhor opção para o mercado.

Nos sistemas fotovoltaicos existem vários equipamentos como Módulos Fotovoltaicos, Inversores, Baterias, Controlador de Carga e Módulo de Proteção, tudo isso além dos Cabeamentos e algumas outras peças formam a estrutura do sistema para as empresas. Toda essa estrutura tem um valor bastante elevado, levando os empresários a terem bastante cuidado na proteção desses equipamentos.

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“Um investimento tão alto e promissor, que vem trazendo economia e retornos financeiros, ser perdido por uma queda de raio em um seguro mal elaborado”.

Então, você empresário Alagoano, que já investiu bastante dinheiro neste sistema, conversa com nossa equipe, o custo não é elevado, protegemos usinas tanto em fazendas e sítios, quanto em instalações nas cidades, seja em solo ou telhado. Temos as melhores opções do mercado com a garantia das seguradoras autorizadas pela SUSEP, aqui você tem custo e benefício.

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Milei e $Libra: quem é Hayden Davis, o empresário pivô do escândalo de criptomoedas que teria dito que ‘controla’ presidente da Argentina

A primeira vez que muitos argentinos viram o rosto de Hayden Mark Davis foi em 30 de janeiro deste ano.

Naquele dia, o presidente da Argentina, Javier Milei, teve uma reunião na Casa Rosada com o americano de 35 anos, que é CEO da Kelsier Ventures, uma empresa de consultoria e investimentos em criptomoedas e negócios digitais.

“Hoje tivemos uma conversa muito interessante com o empresário Hayden Mark Davis, que estava me assessorando sobre o impacto e as aplicações da tecnologia blockchain e da inteligência artificial no país. Continuamos trabalhando para acelerar o desenvolvimento tecnológico argentino, e fazer da Argentina uma potência tecnológica global”, escreveu Milei no X (antigo Twitter), anexando uma foto com Davis.

Davis não era uma figura com um nome bem estabelecido no setor de criptomoedas, diz Santiago Siri, especialista neste tipo de tecnologia, à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

Vê-lo ao lado do presidente, e perceber que Milei estava recebendo conselhos de alguém praticamente desconhecido, despertou a curiosidade deste especialista argentino, que se propôs a saber mais sobre Davis.

“Não havia nenhuma informação a respeito. E no século 21, no ano de 2025, apagar seu rastro digital é uma coisa muito difícil de fazer, exigindo um esforço deliberado. Isso já levanta alguns sinais de alerta”, conta Siri.

No próprio dia 30 de janeiro, ele postou uma mensagem no X sugerindo a natureza estranha do encontro.

“Será um cara que vai ser usado para criar uma moeda Milei? Vamos torcer para que não seja outra CoinX”, escreveu Siri, referindo-se a um projeto de investimento digital fracassado que Milei promoveu em 2022, e do qual se desvinculou posteriormente.

Mas desde o fim de semana, o nome de Hayden Davis tem sido um dos que mais reverberam na Argentina, depois que o lançamento fracassado da criptomoeda $LIBRA levou, segundo veículos argentinos, dezenas de milhares de investidores a perderem quase US$ 90 milhões em questão de minutos.

Milei usou sua conta X para ‘divulgar’ o lançamento da $LIBRA. A mensagem foi apagada logo depois

Milei postou uma mensagem no X na última sexta-feira (14/2), divulgando — de acordo com sua defesa pessoal — a $LIBRA como um projeto de investimento que forneceria fundos para empreendimentos na Argentina.

Pouco tempo depois, ele deletou a mensagem, alegando que “não conhecia os detalhes do projeto”.

Quando ele excluiu a mensagem, o valor da moeda já havia registrado uma alta de 1.300% e uma queda semelhante, o que levou aqueles que venderam suas moedas quando estava em alta a embolsar milhões de dólares, e todos os demais que não fizeram isso, a perdas astronômicas quando o valor despencou.

Mas, desde então, muitos indícios levam à conclusão de que Milei e seu círculo próximo, que inclui sua irmã e braço direito no governo, Karina Milei, tinham algum grau de conhecimento do projeto $LIBRA, com o qual o presidente, envolvido no escândalo, agora diz não ter nenhuma ligação.

O papel de Davis

Antes da aparição de Davis na Casa Rosada em 30 de janeiro, pouco se sabia sobre o empresário de criptomoedas americano.

Em uma entrevista recente, ele afirmou ter participado do lançamento da criptomoeda da primeira-dama dos EUA, Melania Trump, chamada $MELANIA. Sua alegação, no entanto, não pode ser corroborada de forma independente.

O site da empresa Kelsier Ventures não oferece informações sobre Davis, apenas uma descrição geral de como ela opera como uma empresa que “impulsiona a inovação na web3 por meio da sinergia entre experiência em comercialização, pesquisa aprofundada e investimentos direcionados”.

Hayden Mark Davis se define como CEO da Kelsier Ventures

Mas, com o escândalo na Argentina, começou a surgir a informação de que Davis liderou o lançamento da $LIBRA, sendo um dos patrocinadores do projeto.

“Ele era o provedor de liquidez, que atuava um pouco como o banco. Ele disse que havia fornecido US$ 100 bilhões”, explica Siri, observando que há outros personagens envolvidos.

“Tem também o Mauricio Novelli, que há cerca de 5 anos faz esquemas de cripto com Milei, quando ele era deputado. E temos que ficar especialmente de olho na irmã de Javier Milei, Karina Milei, que sempre atuou como arrecadadora de fundos, tanto para o partido político quanto para a fundação ligada às ideias de Milei”, acrescenta.

Novelli, fundador da N&W Professional Traders, também é conhecido por ter acesso à família presidencial argentina. No ano passado, ele compartilhou uma foto com Javier Milei.

Outros dois nomes mencionados são os dos empresários Manuel Terrones Godoy e Julian Peh, este último da empresa KIP Protocol.

Embora tenham sido apontados publicamente como os cabeças da $LIBRA, até agora nenhum deles foi formalmente acusado de qualquer crime. O governo argentino prometeu uma investigação.

Para Siri, o fato de o presidente Milei ter se cercado de pessoas “inexperientes, desconhecidas e improvisadas”, mas que têm acesso a ele por meio de outros intermediários, foi o início do desastre no lançamento da $LIBRA.

“A consequência de se juntar a aplaudidores e pessoas sem vocação para fazê-lo enxergar as diferentes nuances de um projeto tecnológico altamente complexo como este, é que o presidente toma decisões ruins”, diz Siri

Javier Milei se desvinculou da $LIBRA em uma entrevista televisionada

‘Eu controlo Milei’

Em entrevistas, Davis garantiu que era apenas um conselheiro do presidente, e que não houve nenhuma ação fraudulenta no lançamento da $LIBRA — ele disse não saber por que Milei retirou intempestivamente seu apoio.

No mundo das “memecoins”, como estes tipos de criptomoedas são chamadas, o apoio de figuras públicas é vital para manter ou aumentar seu valor.

“Não tenho nenhum desejo de ser o inimigo número um. Não estou me beneficiando com isso. Minha vida está em jogo”, disse Davis ao jornalista Stephen Findeisen.

Em outra entrevista, ele afirmou ter US$ 100 milhões prontos para injetar na $LIBRA, um capital que “é da Argentina”, sem dar detalhes sobre a origem do dinheiro, mas garantindo que não ganhou nada com a queda da criptomoeda.

“Teremos que ver o que Davis quer dizer quando afirma que esse dinheiro é da Argentina”, diz Siri.

Embora Davis tenha tentado tranquilizar os argentinos com sua mensagem, o site de notícias especializado em criptomoedas CoinDesk publicou na terça-feira (18/2) supostas mensagens de Davis, nas quais o americano supostamente se gabava em dezembro do ano passado de ter controle sobre o presidente Milei.

“Eu controlo esse ****”, disse Davis sobre o presidente, em uma das mensagens que a imprensa argentina, como o jornal La Nación, afirma ter visto, mas que a BBC não conseguiu verificar de forma independente.

“Enviei $$ para a irmã dele, e ele assina qualquer coisa, e faz o que eu quero. Uma loucura”, ele acrescenta, em uma mensagem de texto para um destinatário desconhecido.

Até agora, não foi publicada nenhuma evidência de que Davis tenha enviado dinheiro ao presidente ou aos que estão à sua volta.

A Casa Rosada chegou, inclusive, a se dissociar da ideia de que Davis era assessor do chefe de Estado argentino: “Davis não tinha e não tem nenhum vínculo com o governo argentino, ele foi apresentado pelos representantes da KIP Protocol como um de seus sócios no projeto”.

Milei se viu no centro do escândalo da criptomoeda $LIBRA na Argentina

Além das acusações que podem surgir das investigações, uma questão que permanece no ar é se aqueles que investiram dinheiro na $LIBRA vão conseguir recuperar o que até agora parece ter sido perdido.

Para Siri, isso é altamente improvável. “Eu vejo isso como algo muito complexo. A menos que os tribunais consigam confiscar os fundos de Davis e seja feita uma compensação, provando que o dono de uma carteira interagiu com isso, é complexo. Se quiséssemos reverter as transações, há um custo imenso de comissões que são pagas sobre essas transações”, ressalta.

“Houve mais de US$ 1,5 bilhão em transações nesta moeda Milei. A moeda atingiu uma capitalização de mercado de US$ 4 bilhões, teve uma liquidez de US$ 800 milhões e pagou mais de US$ 20 milhões em comissões aos sistemas que se ofereceram para trocar essas moedas por outras.”

“Então, reverter essas transações é francamente muito complexo, e a Justiça teria que confiscar os fundos de Davis para reembolsar os investidores por meio de um processo de reversão de tudo isso”, conclui.

‘Se você perde dinheiro no cassino, qual é a reclamação?’: Milei se defende em escândalo de criptomoeda

O presidente da Argentina, Javier Milei, disse na segunda-feira (17/2) que não tem responsabilidade por um suposto golpe envolvendo uma criptomoeda que ele promoveu.

O presidente promoveu na rede social X na sexta-feira (14/2) um novo criptoativo chamado $LIBRA, que ele descreveu como uma ferramenta para financiar pequenas empresas argentinas.

O valor disparou, mas horas depois alguns dos que detinham a grande maioria dessas moedas embolsaram o dinheiro — cerca de US$ 90 milhões — e seu valor despencou.

O presidente então apagou o tuíte inicial e postou um novo no qual afirmava que “não estava ciente dos detalhes do projeto”.

Milei disse na segunda-feira que aqueles que investem nesse tipo de investimento “são traders de volatilidade”.

“Se você vai ao cassino e perde dinheiro, qual é a reclamação se você sabe que o cassino tem essas características?”, disse ele em entrevista ao canal local TN.

“Aqueles que participaram o fizeram voluntariamente. É um problema entre particulares, porque o Estado não tem nenhum papel aqui”, disse presidente argentino.

Ele também se distanciou dizendo: “Eu não promovi, eu espalhei. Não é a mesma coisa.”

“Achei que era uma ferramenta interessante para ajudar pessoas que, de outra forma, não teriam acesso” ao crédito, disse ele.

O presidente, que já havia reconhecido ter recebido dinheiro por recomendar um negócio de criptomoedas no passado, negou ter recebido qualquer dinheiro pela publicação da postagem na sua conta de X.

“Por tentar dar uma mão para esses argentinos, tomei um tapa”, ele continuou.

O valor de mercado da $LIBRA disparou para mais de US$ 4 bilhões nos minutos seguintes ao tuíte inicial do presidente, impulsionado por cerca de 44 mil compradores, de acordo com especialistas.

Mas Milei negou que esses números. Segundo ele, “havia muitos bots” e “há no máximo 5 mil pessoas” — a maioria americanos e chineses.

“O Estado perdeu dinheiro? Nada. Os argentinos perderam dinheiro? Tenho sérias dúvidas, não acredito que sejam mais de cinco argentinos”, disse Milei.

Milei e a $LIBRA

Questionado se havia cometido algum erro, Milei disse “ex ante não”, ou seja, antes de acontecer, não, mas que mudará sua forma de agir no cargo.

“Tenho que levantar os filtros, não deveria ser tão fácil chegar até mim”, disse ele.

Segundo o presidente argentino, ele conheceu o empresário americano Hayden Mark Davis — um dos principais impulsionadores do lançamento da $LIBRA — em outubro do ano passado, no evento Tech Forum, realizado em Buenos Aires.

O simpósio é organizado por Mauricio Novelli, empresário argentino e dono da academia de negociação de ações N&W Professional Traders, que Milei disse conhecer há muito tempo porque fora contratado por eles para dar um curso.

Ele se encontrou com Davis na Casa Rosada em 30 de janeiro com o objetivo de “acelerar o desenvolvimento tecnológico argentino e fazer da Argentina uma potência tecnológica global”, segundo o próprio presidente em uma postagem publicada após a reunião.

Hayden Mark Davis e Javier Milei na Casa Rosada no mês passado

Davis afirmou que o “principal patrocinador” do $LIBRA é Julian Peh, um empreendedor de tecnologia de Singapura e fundador do KIP Protocol, que também se encontrou com Milei em outubro.

Davis culpou Milei por retirar seu apoio ao projeto, minando assim sua credibilidade.

“Seus parceiros obtiveram seu apoio público no lançamento e me garantiram que seu apoio contínuo estava garantido”, disse ele.

Esses “parceiros” que ele mencionou são Novelli e Manuel Terrones Godoy, cocriador do Tech Forum.

Questionado na entrevista sobre o motivo de ter postado seu tuíte apenas três minutos após o lançamento da criptomoeda, Milei argumentou que foi por causa de seu “fanatismo pela questão tecnológica”.

“Sou um tecno-otimista e, conhecendo os limites que o mercado de crédito tem para as pessoas que estão no setor informal, para as pessoas que lavam [dinheiro ilegal] o mínimo necessário, que não conseguem construir uma carteira de crédito e, dadas as restrições da Argentina por não ter um mercado de capitais, alguém que venha até mim e proponha criar um instrumento para financiar projetos argentinos, me parece interessante”, disse ele.

“Não sou especialista, o próprio Davis diz que não entendo nada de criptomoedas”, disse Milei.

O presidente argentino disse que ordenou a criação de uma “Força-Tarefa Investigativa na órbita da Presidência da Nação” que investigará os fatos e os envolvidos, incluindo ele mesmo.

Ele também se referiu às acusações de fraude feitas nas últimas horas por vários políticos da oposição.

“Se há fraude, que a Justiça prove”, disse ele.