
A Polícia retirou a Estrela de Davi do topo de uma caixa d’água no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. O símbolo, utilizado pelo grupo criminoso liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, podia ser vista até da Linha Vermelha por quem passava pela via e era usada para ostentar o controle do tráfico no território. Nesta terça-feira, as polícias Civil e Militar realizam uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao traficante. Durante a ação, os agentes também demoliram o “resort” de luxo do criminoso, construído irregularmente em uma área de preservação ambiental. O local contava com um lago artificial com areia de praia e carpas, um minicampo de futebol e uma área de lazer.
O “resort” do traficante ficava na região de Parada de Lucas. Logo na entrada do imóvel, havia dezenas de palmeiras. Além do lago artificial na área de lazer, o espaço contava com uma espécie de guarda-sol feito de palha. Enquanto algumas casas da vizinhança sequer têm reboco nas paredes, a propriedade usada por Peixão possuía gramados nas laterais e jardins ao redor dos muros. Pedras naturais também eram usadas na decoração.
A estrutura, comparada a um “oásis de luxo” pela polícia, possuía carpas no lago artificial, uma área com areia de praia e uma academia de ginástica. Os peixes foram retirados e serão levados para um criadouro.
O lago artificial, equipado com uma bomba para manter a água tratada, era extenso. Além dele, o quintal ainda contava com uma piscina, um minicampo de futebol e uma área coberta, onde ficava a churrasqueira.
O espaço também era usado para diversos shows e apresentações de DJs. Em material de divulgação, consta que as mulheres tinham entrada grátis e os homens pagavam R$ 30 para acessar o espaço.
Projeto social e resort
Antes de se chamar “Resort Green”, o local era identificado como uma área para projeto social. Até outubro do ano passado, havia uma placa na entrada do espaço indicando que ali funciona o “Projeto social da criança ao idoso” com nome de parlamentares. Segundo o delegado Moysés Santana, titular da DRE, tudo indica que houve um grande investimento de dinheiro do tráfico na construção o “resort”.
“Inicialmente, ele (Peixão) tentou dar um aspecto de legalidade, inclusive botou aqui antes uma placa de projeto social, com nomes de parlamentares. Os parlamentares foram ouvidos no curso do inquérito e negaram qualquer participação nesse espaço. Logo após ele mudou o nome para Resort Green (verde, em inglês) para tentar dar uma nova cara de legalidade”, afirmou ao Bom Dia Rio.
Santana informou que duas pessoas foram presas durante a ação: uma por tráfico de drogas e outra por receptação. Ele tentava deixar a comunidade com uma motocicleta roubada quando foi detido pelos agentes.
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