Lago artificial em ‘resort’ de traficante Peixão custaria R$ 1 milhão para ser construído legalmente

Seja visto do alto ou de perto, era impossível ignorar o chamado “oásis” de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do Terceiro Comando Puro (TCP). O complexo de luxo, batizado de Resort Green, foi erguido às margens da Avenida Brasil e da Linha Vermelha, entre os bairros de Vigário Geral e Parada de Lucas. O espaço, construído com dinheiro do crime, não servia apenas para lazer do criminoso, mas também como palco de festas e shows privados organizados pelo tráfico. O “resort” contava com piscina, área gourmet, coqueiros e um lago artificial repleto de carpas coloridas avaliadas em R$ 80 mil. Havia ainda uma piscina particular e um amplo espaço para eventos. O luxo da construção de Peixão lembra a estrutura do lago artificial do jogador Neymar em Mangaratiba, que, por questões ambientais, resultou em uma multa milionária de R$ 16 milhões.

Especialistas em paisagismo consultados pelo O Globo estimam que, se construído legalmente, apenas o lago artificial de 300 metros quadrados teria um custo aproximado de R$ 1 milhão. Já a manutenção mensal, que inclui filtragem da água, reposição de mantas acrílicas, areia e alimentação dos peixes, custaria cerca de R$ 5 mil — o equivalente a R$ 60 mil por ano. Dependendo da quantidade de visitantes e do uso do espaço, esse valor poderia ser ainda maior.

Logo na entrada do imóvel, havia dezenas de palmeiras. Além do lago artificial na área de lazer, o espaço contava com uma espécie de guarda-sol feito de palha. Enquanto algumas casas da vizinhança sequer têm reboco nas paredes, a propriedade usada por Peixão possuía gramados nas laterais e jardins ao redor dos muros. Pedras naturais também eram usadas na decoração.

A ostentação do traficante fazia jus ao seu apelido. Peixão mantinha um cardume de mais de cem carpas de até 120 cm de comprimento nadando em águas cristalinas. O investimento apenas nesses peixes foi estimado em R$ 80 mil. Para manter a qualidade da água e a estrutura do lago, sistemas de filtragem robustos variam entre R$ 1.000 a 1.500 por metro quadrado, enquanto um resort com o nível de acabamento visto na propriedade de Peixão poderia ultrapassar R$ 3.400 por metro quadrado. A Polícia Civil investiga se havia uma equipe responsável exclusivamente pela manutenção do lago a serviço do traficante.

Além da mansão, a operação policial também mirou outros bens do grupo criminoso. A chamada “academia do tráfico”, situada a cerca de 500 metros do resort, foi desativada. Os equipamentos de ginástica – todos decorados com a bandeira de Israel – foram avaliados em R$ 300 mil e removidos para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho.

O lago artificial, equipado com uma bomba para manter a água tratada, era extenso. Além dele, o quintal ainda contava com uma piscina, um minicampo de futebol e uma área coberta, onde ficava a churrasqueira.

Símbolo do poder paralelo instaurado pelo TCP na região, o “oásis” de Peixão ainda foi cenário de encontros românticos do traficante com sua companheira, conforme divulgado pela polícia. A demolição da mansão marca mais um golpe contra a estrutura de luxo financiada pelo tráfico, enquanto as operações continuam para enfraquecer a facção criminosa

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